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	<title>Blog do Rey</title>
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	<description>Ideias &#38; Palavras</description>
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		<title>Blog do Rey</title>
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		<title>A vingança do Borá, do Canela e do Cheiroso</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 16:52:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiza Rey</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[a vingança dos rios]]></category>
		<category><![CDATA[borá]]></category>
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		<description><![CDATA[O nome era Evaristo, mas mesmo dona Aparecida, a mãe, e seu Gino, o pai, só se lembravam disso em época de procurar o registro de nascimento do menino para renovar a matrícula no grupo escolar ou para atualizar a carteira de vacinação no dispensário. Fora essas ocasiões, Evaristo era o “Cheiroso”, apelido que ganhou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=21&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nome era Evaristo, mas mesmo dona Aparecida, a mãe, e seu Gino, o pai, só se lembravam disso em época de procurar o registro de nascimento do menino para renovar a matrícula no grupo escolar ou para atualizar a carteira de vacinação no dispensário. Fora essas ocasiões, Evaristo era o “Cheiroso”, apelido que ganhou junto com o hábito de não sair de casa sem tomar banho de água de colônia.</p>
<p>Aos nove ou 10 anos, Cheiroso era o mais inteligente dos meninos do ônibus escolar que o encontrava todas as manhãs esperando nos bancos de madeira do abrigo que o dono da fazenda mandou construir sob a paineira frondosa que se vestia de lilás nos finais de verão de chuva abundante. E que o levava, aos sacolejos, pela estrada empoeirada até a escola, em Schmitt.</p>
<p>Toda vez que a velha jardineira passava ao lado do tímido filete de água que serpenteava o caminho pedregoso desde Cedral, Cheiroso ensinava a quem estivesse a seu lado:</p>
<p>_ É a nascente do rio Preto! – e havia em sua voz o brilho indisfarçável de quem se orgulha de ser conterrâneo do rio. Os dois nasceram em Cedral.</p>
<p>Nunca soube responder à indagação que lhe fizera havia algum tempo um colega interessado em saber o que aconteceria se alguém tapasse a nascente com o dedo: “será que o rio seca?”. Tanta coisa tinha perguntado sobre o rio, mas nunca lhe ocorrera perguntar uma coisa dessas.</p>
<p>Sabia muitas coisas, uma delas que o rio Preto apenas passa pela cidade à qual dá o nome antes de deslizar pelos quase 150 quilômetros que o levam à foz. Achava isso uma injustiça: o rio batiza a cidade e justamente ela é o seu algoz, capaz de sujar sua água, matar seus peixes, destruir sua vegetação, roubar-lhe a vida.</p>
<p>Pior do que isso. É o rio que mata a sede e garante o banho e a saúde dos moradores, como comprovou no dia da excursão da escola à represa e ao Palácio das Águas, o lugar onde as sereias de pedra com tetas de fora disputavam a atenção dos visitantes com os bolhões de água que rebentavam em salas envidraçadas. O rio mata a sede da cidade e, depois, a cidade mata o rio, inconformava-se sempre que pensava no assunto.</p>
<p>Conformou-se um pouco quando soube que, bem mais para baixo, lá longe, o rio renasce, fica largo e cristalino, vibrante em suas corredeiras que parecem fervura de sonrizal, a espuma límpida e branca preparando o mergulho no Turvo. Deixa para trás as cicatrizes que lhe infligem seus dois afluentes mais sujos – o Borá e o Canela, que hoje jazem sob a canalização das avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló. Suas margens, ouvira dizer, eram povoadas de jacarés e sucuris, tal a vitalidade de que se cercavam bem lá no passado, no tempo de seu avô, talvez no tempo do bisavô, muito antes de as pessoas os transformarem em esgotos a céu aberto.</p>
<p>Foi daí para cá, concluiu, que começou o problema das enchentes, o Borá e o Canela despejando no rio Preto toda a água da cidade impermeável, provocando transbordamentos, enxurradas, alagamentos, prejuízos&#8230; Até mortes, como andou ocorrendo há menos tempo.</p>
<p>Só pode ser uma vingança, raciocina. O rio Preto, o Borá e Canela estão se vingando do jeito como são tratados.</p>
<p>_ Bem feito! Quem mandou chamar de rio bosteiro?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdorey.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdorey.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=21&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Lu</media:title>
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		<title>O bendengó de Catanduva</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 11:35:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Luís Rey</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[bendengó]]></category>
		<category><![CDATA[catanduva]]></category>
		<category><![CDATA[chuva de gelo]]></category>

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		<description><![CDATA[_ Só pode ser o fragmento de um meteorito glacial&#8230; _ Nada disso. É mijo! _ &#8230; um pedaço enorme que se desprendeu, foi diminuindo em atrito com a atmosfera e chegou à Terra do tamanho que chegou. _ Que idéia, meu amigo! Aquilo lá é mijo congelado. A esfera de gelo que caiu sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=18&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>_ Só pode ser o fragmento de um meteorito glacial&#8230;</p>
<p>_ Nada disso. É mijo!</p>
<p>_ &#8230; um pedaço enorme que se desprendeu, foi diminuindo em atrito com a atmosfera e chegou à Terra do tamanho que chegou.</p>
<p>_ Que idéia, meu amigo! Aquilo lá é mijo congelado.</p>
<p>A esfera de gelo que caiu sobre a casa do aposentado Sinésio Oliveira, em Catanduva, suscitou diálogos desse tipo, que ouvi outro dia em um posto de gasolina. O frentista que conversava com outro cliente sustentava a estranha tese do bloco de urina congelada, antes mesmo dessa possibilidade ter sido levantada, há duas semanas, pela revista Istoé.</p>
<p>A coisa gelada teria, nesse caso, se desprendido de um avião quando tinha mais ou menos um metro e meio de diâmetro e caído a uma velocidade de 300 quilômetros por hora. Reforça essa tese o fato de os meteorologistas e especialistas afins descartarem a possibilidade do gelo cadente ter resultado de buscas mudanças climáticas, já que, no horário da queda, não havia sinais de vento ou chuva pela região.</p>
<p>Os traços de urina supostamente encontrados na amostra sugerem que o gelo tenha se soltado da área do WC da aeronave, o que levou um amigo a conjeturar a possibilidade do insólito ataque urinário ter sido perpetrado por um avião chegando ou saindo de Rio Preto. Ele próprio concluiu, no entanto, que a suspeita padece de falta de bases físicas: a despropositada ofensiva aérea não poderia ter sido praticada por um avião em baixa altitude. Maldade, portanto, querer achar que isso foi coisa de rio-pretense.</p>
<p>O avião agressor – Enola Gay da bomba urética – deve ter cruzado o espaço aéreo de Catanduva aí pelos 10 mil metros de altitude, talvez numa rota como a de São Paulo a Cuiabá, por exemplo, sem escala em Rio Preto. O dr. Liberato Caboclo chega a desconfiar de algum avião transportando autoridades públicas – o Aerolula, quem sabe? . “É que eles já estão acostumados a fazer essas coisas em cima do povo”, justifica.</p>
<p>Em outra época e em outro lugar – ambos muito distantes – também veio do céu o enigma do meteorito que caiu em 1784, próximo ao riacho Bendengó, região de Monte Santo, em solo baiano.A região se tornaria conhecida daí a quase 150 anos, quando Antonio Conselheiro a transformou em Canudos. O bendengó, como passou a ser conhecido o meteorito, é uma pedra irregular de 5.300 quilos, com mais de dois metros de comprimento por um e meio de largura, composto por ferro e níquel, embora na época as autoridades acreditassem que ele fosse formado por ouro e prata.</p>
<p>As semelhanças acabam por aí. O bendengó de Catanduva é de gelo.</p>
<p>_ É mijo! – como sustentou o frentista do posto de gasolina.</p>
<p>Sai de baixo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdorey.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdorey.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=18&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O comunista que pintava paredes</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 20:29:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Luís Rey</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[antonio roberto vasconcelos]]></category>
		<category><![CDATA[comunista]]></category>
		<category><![CDATA[vasconcelos]]></category>

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		<description><![CDATA[Em homenagem a Antônio Roberto Vasconcelos, que aos 93 anos, deixou os amigos em 31/12/09. Este texto foi publicado originalmente em 2007. O clima de conspiração e tensão política, tão presente na maior parte das cidades brasileiras naqueles meses que se seguiram ao 31 de março de 1964, passava longe da “lagoa do Tedeschi” – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=16&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em homenagem a Antônio Roberto Vasconcelos, que aos 93 anos, deixou os amigos em 31/12/09.<br />
<em> Este texto foi publicado originalmente em 2007.</em></p>
<p>O clima de conspiração e tensão política, tão presente na maior parte das cidades brasileiras naqueles meses que se seguiram ao 31 de março de 1964, passava longe da “lagoa do Tedeschi” – a convidativa represa que atraía para mergulhos dezenas de rapazes naquelas tardes calorentas do município de Adolfo. Espera aí, mas só rapazes?!?</p>
<p>Só. Isto é, até o dia em que dona Alda Vasconcelos, trajando maiô colorido, puxou uma fila de ruidosas moçoilas da pequena cidade – algumas certamente muito encabuladas pelo sumário dos trajes – e decretou que, a partir de então, o acesso aos banhos refrescantes na água do rio era, também, uma prerrogativa feminina.</p>
<p>A atitude subversiva fez mais do que romper com velhos preconceitos do lugar. Obrigou os rapazes a providenciar roupas de banho de verdade, no lugar das cuecas e ceroulas, quando não da ausência absoluta de qualquer uma delas.</p>
<p>Do cantinho de onde observava a cena, ao longe, orgulhoso do feito de sua mulher, o subversor que inspirou a revolta do maiô sorriu o sorriso dos vencedores. A lagoa de Adolfo acabava de cair!</p>
<p>Este certamente não foi o maior feito que a história da resistência neste fim de mundo atribui ao contador, professor e, principalmente, militante comunista Antonio Roberto de Vasconcelos – o Vasco – um especialista na tarefa de organizar pessoas, priorizar objetivos, derreter argumentos reacionários, dinamitar tabus – quase tudo, menos jantar criancinhas. Desde que chegara a Rio Preto, nos anos 60, com a missão de organizar as bases do PCB pela região, Vasco colecionou uma prisão de sete meses, a suspensão dos direitos políticos, perseguições, ameaças, o inferno.</p>
<p>Ao escolher o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil como suporte para sua ação proselitista, viu-se frente a uma contingência inadiável: tinha que desempenhar algum trabalho nessa área, para despistar a vigilante e onipresente máquina repressora. Resolveu que seria pintor, mas a função deixou de freqüentar seu currículo no primeiro dia em que se meteu a lixar uma parede. Quando saiu de dentro da nuvem de poeira branca, quase não conseguia respirar.</p>
<p>_ Sacanagem, pô. Meu nariz ficou de um jeito que parecia que eu tinha cheirado um caminhão de cocaína&#8230;</p>
<p>A pressão do cerco o empurrou para Adolfo. Integrado à vidinha local, comprou um escritório de contabilidade, chegou a dar aulas no grupo escolar e, numa de suas vindas a Rio Preto – “teje preso, comunista de merda”. O périplo pelas cadeias de Nova Aliança, Lins e Campo Grande deve tê-lo ajudado a chegar mais rápido ao dia em que foi solto e resolveu voltar, na clandestinidade, à região de Rio Preto, desta vez, na cidade de Mendonça.</p>
<p>Lá está o Vasco em pleno exercício de uma de suas mais notáveis habilidades – o carisma e a liderança entre os jovens – quando o inconformismo o coloca, de novo, frente a um imbróglio político: o prefeito da cidade, Nelson Maturana, aproximava-se do final do mandato e, em flagrante confronto com a legislação eleitoral da época, planejava lançar candidata à sua sucessão a própria mulher, Eunice Seixas, com quem vivia maritalmente havia anos, embora eles não fossem formalmente casados.</p>
<p>Certo entardecer de domingo – a cidade em peso no footing ao redor da praça, deliciando-se com as músicas que se sucediam pelo serviço de alto-falantes da igreja – Vasconcelos e um séqüito de jovens entraram na sacristia e apoderaram-se do microfone, numa desesperada tentativa de alertar os eleitores para a brecha da lei:</p>
<p>_ Povo de Mendonça: quem é que não sabe, aqui na cidade, que a dona Eunice é mulher do Maturana?</p>
<p>Dona Eunice, que venceu a eleição e cumpriu todo o mandato, tempos depois ainda se lembrava da invasão ao serviço de som:</p>
<p>_ Eles falaram, falaram e depois ainda puseram música subversiva para tocar&#8230;</p>
<p>A canção era “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré, na época recém liberada pela censura, após anos de proibição. E o Vasco está aí, aos 90 anos, conspirando para tornar as pessoas mais inteligentes, interessantes e menos conformistas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdorey.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdorey.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=16&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vai graxa aí?</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 20:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Luís Rey</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[engraxates]]></category>
		<category><![CDATA[praça]]></category>
		<category><![CDATA[rio preto]]></category>

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		<description><![CDATA[Toc, toc&#8230; O freguês sentado no banco de cimento da praça Ruy Barbosa (o banco era uma gentileza dos Chapéus Ramenzoni) nem precisava tirar os olhos e a atenção do Notícias Populares, onde lia as últimas novidades a respeito do bebê-diabo. Aquelas duas batidinhas com o cabo da escova na lateral da caixa de madeira [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdorey.wordpress.com&amp;blog=11183596&amp;post=9&amp;subd=blogdorey&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toc, toc&#8230;</p>
<p>O freguês sentado no banco de cimento da praça Ruy Barbosa (o banco era uma gentileza dos Chapéus Ramenzoni) nem precisava tirar os olhos e a atenção do <em>Notícias Populares</em>, onde lia as últimas novidades a respeito do bebê-diabo. Aquelas duas batidinhas com o cabo da escova na lateral da caixa de madeira era o sinal de que estava na hora de trocar o pé, que o engraxate daria início ao espetáculo da lustração – o passar sonoro e ritmado do retalho de flanela sobre o sapato engraxado, até que ele ficasse um espelho de brilhante.</p>
<p>Os meninos engraxates, com suas caixas penduradas nas costas, eram parte do cenário da praça – garotos pobres, aí entre os 10 e os 14 anos, que convergiam de todos os lados da cidade e, a seu modo, davam curso a duas imemoriais tradições da cidade: a primeira, que filho de pobre tinha que começar a trabalhar cedo; a outra, o hábito das pessoas de engraxar os sapatos na rua, atendidas por uma forma de trabalho infantil que, aos poucos, roubava os clientes de dentro dos ambientes das engraxatarias e dos salões de barbeiros. Com o surgimento da Arprom, (Associação Rio-pretense de Proteção ao Menor), em 1967, eles – e centenas de meninos pobres – desapareceram das ruas para trabalhar como “guardas-mirins” em escritórios e empresas.</p>
<p>Mas foi ali, nas alamedas da praça, limitadas de um lado pelos fícus enfileirados rente à rua e, de outro, pelos jardins recortados no piso de pedra portuguesa e protegidos por pequenas cercas de arcos metálicos, que gerações deles atravessaram parte da infância e da adolescência refrescando-se com os microrrespingos da fonte luminosa, divertindo-se com as fotografias das cenas de filmes nos cartazes dos bang-bang do Cine Rio Preto ou jogando bola de meia em dia de movimento fraco.</p>
<p>Eram tão personagens da praça quanto os motoristas de táxi dos pontos da Jorge Tibiriçá – o Raymundo Veneziano, o Edgar Colturato, o Zé Mota e o Joaquim “Caçabriga” – sempre às turras com a molecada e com as andorinhas, aves especialmente proficientes em macular a pintura de seus reluzentes Simcas Chambord e AeroWillys.</p>
<p>Todos liam as manchetes do <em>Notícias Populares </em>sobre o bebê-diabo na banca de revista dos irmãos Luís Rey e Fernando Reis, onde também se deliciavam imaginando o que poderia estar por trás daquelas capas de gibis que mostravam em situações desafiadores heróis como o Fantasma, o Tarzan, o Zorro, o Superman&#8230;</p>
<p>Me lembrei da praça Ruy Barbosa ao receber, na semana passada, um e-mail do amigo Toninho Cury, comentando a beleza da decoração de Natal – “coisa que não via há anos”. De fato, ficou maravilhosa, resgatou os melhores tempos de uma época em que as famílias ainda passeavam nas praças e as crianças, como lembrou o Toninho, brincavam de rico-trico e comiam pipoca.</p>
<p>As praças ajudam a trazer de volta boas lembranças&#8230;</p>
<div id="attachment_11" class="wp-caption aligncenter" style="width: 469px"><a href="http://blogdorey.files.wordpress.com/2010/01/pc.jpg"><img class="size-full wp-image-11" title="Pç" src="http://blogdorey.files.wordpress.com/2010/01/pc.jpg?w=459&#038;h=345" alt="" width="459" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Praça Rui Barbosa, decorada para o Natal, no centro de Rio Preto. Foto: Toninho Cury</p></div>
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